Eduardo Costa Campos Blog
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A Shopee abriu espaço para milhares de vendedores brasileiros, mas também criou um ambiente extremamente competitivo. Quando produtos semelhantes aparecem lado a lado, o preço se transforma em um dos principais critérios de decisão. O problema começa quando o vendedor passa a reduzir o valor continuamente para acompanhar os concorrentes. A estratégia pode aumentar as vendas, mas também destruir a margem. Em 2026, com tarifas, descontos, logística, publicidade e outras despesas pressionando a operação, competir apenas pelo menor preço pode transformar faturamento em uma ilusão de crescimento.
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Vender no Mercado Livre parece simples: cadastrar o produto, receber o pedido e enviar. O problema aparece quando o vendedor olha para o valor que efetivamente recebe. A comissão é apenas uma parte da equação. Dependendo do anúncio, categoria, preço, logística e condições da venda, podem existir tarifa de venda, custos fixos, parcelamento, frete e investimento em publicidade. Por isso, faturamento não significa lucro. A única forma segura de saber quanto realmente sobra é calcular o custo completo de cada venda.
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Otimizar uma campanha parece sempre uma boa ideia. Reduzir o custo por resultado, alterar públicos, trocar criativos, ajustar orçamento e testar novas configurações fazem parte da rotina de quem trabalha com mídia paga. O problema começa quando otimização vira intervenção constante. Plataformas como Meta Ads e Google Ads utilizam sistemas de aprendizado de máquina que precisam de sinais e tempo para identificar padrões. Mudanças frequentes podem dificultar a leitura desses sinais e tornar impossível saber o que realmente causou uma melhora ou uma piora. Em vez de tentar controlar cada detalhe, o profissional precisa aprender a identificar quais mudanças realmente têm potencial de gerar impacto.
O comportamento de busca está mudando. O consumidor de 2026 está cada vez menos disposto a navegar por dezenas de resultados para encontrar sozinho aquilo que procura. Ele quer recomendações, comparações, respostas contextualizadas e produtos que apareçam antes mesmo de formular uma busca tradicional. Redes sociais, mecanismos de busca com inteligência artificial, marketplaces e algoritmos de recomendação estão transformando a descoberta em parte central da jornada de compra. Isso muda também o marketing: marcas que esperam apenas ser encontradas precisam começar a pensar em como ser descobertas.
A inteligência artificial está mudando rapidamente o trabalho no marketing. Textos, relatórios, análises, segmentações, criativos, pesquisas e até campanhas inteiras podem ser produzidos com muito menos esforço do que antes. Isso coloca pressão sobre profissionais que construíram seu valor principalmente em tarefas operacionais. Mas a IA não elimina automaticamente a necessidade de profissionais de marketing. Ela muda o que passa a ser valioso. Quanto mais fácil fica executar, mais importante se torna saber decidir, interpretar dados, compreender consumidores, construir posicionamento e conectar marketing a resultados reais. O risco não é simplesmente perder o emprego para uma IA. É continuar oferecendo um trabalho que a IA já consegue executar de forma mais rápida e barata.
A internet criou uma ilusão perigosa: a de que os melhores produtos necessariamente vencem. Na prática, milhões podem ser vendidos por produtos medianos ou até decepcionantes. Isso acontece porque o sucesso comercial depende de muito mais do que qualidade. Oferta, preço, percepção de valor, publicidade, distribuição, prova social, influência e capacidade de capturar atenção podem ser decisivos. Um produto tecnicamente superior pode permanecer desconhecido enquanto outro, muito mais simples, domina as vendas. O problema não é a internet premiar necessariamente produtos ruins. É que ela não foi construída para avaliar qualidade antes da compra. Ela foi construída para facilitar descoberta, desejo e conversão.
O TikTok Shop está aproximando duas funções que durante muito tempo foram tratadas separadamente: criação de conteúdo e vendas. No Brasil, a plataforma já permite que criadores promovam produtos em vídeos e transmissões ao vivo por meio de afiliados, recebendo comissão pelas vendas. Em seu primeiro ano, o TikTok informou que a média de criadores afiliados ativos cresceu 46 vezes e que o GMV médio diário mensal cresceu 102 vezes. Em 2026, a plataforma também ampliou recursos de LIVE commerce e automação. O resultado é uma mudança importante na economia dos creators: visualização deixa de ser o único ativo. A capacidade de transformar atenção em vendas pode se tornar ainda mais valiosa.
A inteligência artificial da Meta está avançando diretamente sobre tarefas que tradicionalmente faziam parte do trabalho do gestor de tráfego. A empresa já oferece recursos capazes de analisar campanhas, identificar oportunidades, sugerir otimizações, interpretar dados, auxiliar na criação de campanhas e automatizar partes da configuração. Em agosto de 2026, a Meta também anunciou recursos que permitem ao Meta AI analisar métricas do Facebook e Instagram, campanhas do Meta Ads e até dados do Google Workspace para gerar recomendações e executar tarefas recorrentes. A questão, portanto, não é mais se a IA vai entrar na rotina do gestor. Ela já entrou. A discussão é até onde ela consegue substituir o profissional e qual será o novo valor de quem trabalha com tráfego pago.
O Google Ads está passando por uma mudança estrutural. Recursos como Performance Max e IA Max ampliam a automação de segmentação, lances, correspondência de pesquisas, criativos e distribuição. Em setembro de 2026, o Google também iniciou a atualização automática de determinadas campanhas legadas para IA Max. O anunciante ainda possui controles, como palavras-chave negativas, exclusões de marca, localização e diretrizes de texto, mas o modelo está cada vez menos baseado em controlar cada detalhe e mais em fornecer objetivos, dados e limites para que a IA tome decisões em tempo real.
A inteligência artificial está reduzindo o tempo e o custo de diversas atividades tradicionalmente realizadas por agências de marketing. Criativos, textos, relatórios, análises, apresentações e até partes da gestão de campanhas podem ser produzidos com ferramentas de IA. Isso coloca pressão sobre modelos de cobrança baseados em horas, volume de peças ou quantidade de tarefas. A tendência é que o valor de uma agência precise estar cada vez mais relacionado à estratégia, interpretação de dados, posicionamento, tomada de decisão, integração das ações e responsabilidade pelos resultados.
A inteligência artificial está deixando de ser apenas uma ferramenta utilizada por criadores para assumir funções que antes exigiam equipes inteiras. Em 2026, plataformas como YouTube e Meta estão ampliando recursos de IA para pesquisa, criação, edição, análise, atendimento e execução de tarefas. Ao mesmo tempo, plataformas começam a criar mecanismos para combater conteúdo gerado em massa e repetitivo. Isso abre uma questão importante para o futuro dos canais digitais: os próximos grandes canais serão construídos por pessoas usando IA ou por agentes de IA operando praticamente sozinhos? A resposta provavelmente não estará em substituir completamente o criador, mas em uma nova estrutura na qual uma pessoa pode comandar sistemas capazes de executar uma operação de conteúdo inteira.
Shopee e Mercado Livre continuam entre os principais marketplaces para quem vende online no Brasil, mas responder qual deles dá mais lucro não é tão simples quanto comparar apenas a comissão. As duas plataformas possuem estruturas diferentes de tarifas, publicidade, logística, exposição e benefícios oferecidos ao consumidor. No Mercado Livre, por exemplo, as tarifas variam conforme categoria e tipo de anúncio, com o Clássico geralmente entre 10% e 14% e o Premium entre 15% e 19%. Na Shopee, a estrutura de cobrança também combina comissão e tarifa por item, com valores que variam conforme a faixa de preço e podem mudar de acordo com programas e condições comerciais. No fim, a plataforma que parece cobrar menos pode não ser aquela que deixa mais dinheiro no bolso.
A disputa por visibilidade dentro do Mercado Livre está mudando. A própria plataforma informa que as duas primeiras posições dos resultados de busca são exclusivas para anúncios patrocinados e que os produtos promovidos também aparecem em páginas de produtos concorrentes. Ao mesmo tempo, o Mercado Livre incentiva os vendedores a utilizar o Product Ads como ferramenta para ampliar exposição e vendas. Isso não significa que vender organicamente tenha se tornado impossível, mas mostra que depender exclusivamente do alcance orgânico pode estar ficando mais difícil em categorias altamente competitivas. O verdadeiro desafio para o vendedor não é simplesmente decidir se deve anunciar, mas descobrir quando o investimento em publicidade aumenta vendas de forma saudável e quando apenas compra uma visibilidade que não gera margem.